Robótica: a medicina do presente!
Joinville conta com dois robôs Da Vinci – plataformas atuais, modernas e versáteis – e especialistas certificados
Precisão, controle total por meio do console, procedimentos menos invasivos, agilidade na recuperação e alta precoce são apenas algumas das entregas da cirurgia robótica, que cresce a partir do aumento dos profissionais certificados e da disponibilidade de plataformas nos principais hospitais do país.
Neste cenário, Joinville se destaca em Santa Cataria e em toda a Região Sul do Brasil, pois conta com dois robôs Da Vinci, plataformas atuais, modernas e versáteis – uma no Centro Hospitalar Unimed e outra no Hospital Dona Helena – além de cerca de 30 médicos qualificados e certificados que atuam em especialidades diversas.

O coordenador do Programa de Cirurgia Robótica do Centro Hospitalar Unimed e especialista em cirurgia robótica torácica, Dr. Adrian Mauricio Stockler Schner relata que, atualmente, o Brasil possui cerca de 130 plataformas em operação, o que para ele, é muito pouco. Conta que, em Joinville, a primeira cirurgia robótica aconteceu em maio de 2024, no Centro Hospitalar Unimed, e que entre as especialidades que mais a utilizam a plataforma estão: urologia, cirurgia geral, ginecologia, cirurgia torácica e cardíaca. O médico destaca também que outro benefício relevante para o médico é a ergonomia, especialmente em procedimentos mais longos e complexos.
“Muito pensam em futuro, mas a cirurgia robótica é a realidade, é o presente da medicina. É uma ferramenta importante que auxilia o médico nas cirurgias de maior complexidade e oferece ao paciente melhor e mais rápida recuperação”, argumenta Dr. Adrian.
“Não existe automação ou inteligência artificial no processo. A plataforma robótica apenas replica as ações do cirurgião no console.” Dr. Adrian Mauricio Stockler Schner
Certificação de novos médicos
O primeiro cirurgião de Joinville certificado para cirurgia robótica foi o urologista Dr. Fábio Lepper, que concluiu sua certificação em 2017 na Colômbia – em Bogotá. Ele confirma que, inicialmente, levava pacientes para operar nos hospitais de São Paulo, mas, que com a chegada das plataformas em Joinville pode ampliar o acesso à tecnologia para mais pacientes e já realizou quase 200 cirurgias robóticas.
Credenciado pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) para ensinar e acompanhar o treinamento, simulações e prática de novos cirurgiões, Dr. Fábio Lepper atua como proctor da cirurgia robótica urológica. “Novos cirurgiões estão em fase de treinamento em Joinville. Logo vão finalizar as provas, simulações, práticas e teremos novos médicos certificados. Assim, a tendência é de que o volume de cirurgias robóticas em nossa cidade cresça bastante nos próximos meses”, detalha Dr. Fábio.
Ao falar da evolução que o robô trouxe para a cirurgia, Dr. Adrian e Dr. Fábio fazem uma comparação ao procedimento laparoscópico. Dr. Adrian conta que, enquanto as cirurgias feitas por videolaparoscopia permitem uma visão bidimensional, a plataforma robótica oferece uma visão tridimensional (3D) com sete graus de movimentação axial de suas pinças e uma magnificação de 10 vezes nas estruturas visualizadas. Dr. Fábio complementa que os quatro braços robóticos são capazes de filtrar os movimentos das mãos do cirurgião, impedindo que haja fadiga e tremor nas pinças. Com isso, a dissecção de estruturas ocorre com maior delicadeza e menor sangramento.
“A tecnologia 5G chega para aperfeiçoar ainda mais a cirurgia robótica. Ela oportuniza a realização de procedimentos com o médico, por exemplo, do outro lado do mundo. Ao unirmos tecnologia e conhecimento humano, entregamos excelência.” Dr. Fábio Lepper
Próximo desafio, a popularização
Ambos destacam que apesar da ampliação dos médicos certificados, a popularização do uso do robô em cirurgias ainda é um desafio, não apenas em Joinville, mas em todo o Brasil. Nos hospitais, a questão esbarra no alto custo da plataforma, tanto para aquisição como para manutenção. Já para os pacientes, o empecilho é o fato de que o procedimento não está disponível pelo SUS e não faz parte do rol de procedimentos de cobertura obrigatória das operadoras de saúde.
Mesmo assim, os médicos afirmam que os benefícios do uso do robô fazem com que haja uma procura cada vez maior pela cirurgia robótica, mesmo com o paciente assumindo os custos inerentes ao procedimento.
Como tudo começou?
A história da cirurgia na medicina começou há mais de 150 anos, com o início da utilização de anestesia. Por mais de um século ficou em destaque um conceito que dizia “grandes incisões, grandes cirurgiões” pelo fato de o grande corte garantir uma maior segurança ao profissional médico. Este pensamento foi comum até cerca de 40 anos atrás, quando começaram a ser priorizados procedimentos com incisões menores e com isso menos dor, recuperação mais rápida e retorno precoce às atividades rotineiras. O primeiro passo nessa direção foi a utilização do vídeo nas cirurgias. Hoje, grande parte das cirurgias são vídeo-laparoscópicas.
A cirurgia robótica iniciou nos Estados Unidos, em 2000 e, no Brasil, a primeira foi realizada em 2008, no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo (SP). Agora, os robôs incorporam as mesmas qualidades do vídeo com diferenciais importantes, como maior precisão com uma técnica minimamente invasiva.
Os benefícios são maior conforto aos pacientes e mais rápida recuperação no pós-operatório. Revertendo a lógica das cirurgias com grandes cortes que perdurou por anos, os robôs manipulados pelos médicos garantem avanços inquestionáveis nos procedimentos cirúrgicos mais variados.
